Posted July, 07 of 2018

Viajar devagar: um novo jeito de viajar?

Quantos dias ficar em cada cidade? Ficar o mínimo possível para conhecer o máximo possível, mais cidades em uma mesma viagem? E se você tentasse viajar devagar?

Você vive correndo durante a viagem? – Vicente em uma correria gostosa em Lisboa, fotografado por Emi Paixão

É tentador fazer roteiros apertados, daqueles de conhecer o essencial de cada lugar em pouco tempo. Experimentar e partir para novos experimentos. E assim, multiplicar as férias e viagens.

Eu mesma também curto e ainda faço muito desse estilo de viagem: em pouco mais de um mês de viagem, já estamos no nosso quinto país. Mas alguns diriam que poderíamos fazer muito mais.

Afinal, o que é “fazer mais” ou ainda “conhecer mais”?

Mais destinos, pontos turísticos, fotos e um check-list de “precisa ver e fazer em…” completo?

A noção de “slow travel” ou “viajar devagar” vai contra o modo tradicional de viajar. Mais do que um turista eficiente, você passa a se realizar ao entender melhor a cultura, o pensamento e o modo de vida do local.

Viajar devagar é ter tempo para ver o jardim cheio de rosas da vizinhança, conhecer o parquinho aqui pertinho, ter uma padaria preferida, entender os costumes, o que diverte os locais. Viver um período como eles. Não só passear, mas morar, ainda que por pouco tempo.

O que buscamos ao viajar devagar?

Com mais tempo e outra visão, a busca de uma real imersão cultural vai além dos marcos históricos, artísticos e arquitetônicos.

“Tudo muito lindo” não resume mais a sua viagem. “Voltei outra pessoa, com um novo olhar”, sim.

Considero que ficar um mês onde a maioria dos turistas fica poucos dias já é uma forma de viajar devagar. Ou seja, você não precisa ter uma vida nômade para praticar, basta usar as férias para isso!

Não viajamos assim a vida toda. Na verdade, começamos há menos de dois anos! Em resumo, minhas maiores experiências de “viajar devagar” foram:

1. em Itacaré, quanto Vicente tinha 6 meses. Foi quando senti que “me encontrei”, achei meu estilo de viagem e decidi que faria de tudo para que esse virasse meu estilo de vida.

Na época, meu Instagram ainda era pessoal, mas contei sobre essa experiência na época nesse post:

É, dessa vez estamos viajando devagar. "Slow travel", o estilo de viagem que há tempo eu desejava conseguir praticar. Foi planejado ficar duas semanas em uma cidade, quando nosso bebê tivesse seis meses, e depois seguir viagem, por alguns dias em cada melhor lugar que existisse na volta pra casa. Foi planejado até não saber exatamente que cidades seriam essas nem por quanto tempo ficaríamos. E acima de tudo, planejamos ter tempo. Só assim, deu tempo de voltar à mesma praia favorita vários dias, duas vezes por dia. Deu tempo de dar tanto colo, amor, passeio e brincadeiras quanto o bebê pedia. Deu tempo de não ir à praia e ficar vendo a chuva cair, agradecendo por um domingo nublado, bom pra não ir a lugar nenhum, pra deitar na rede, pra ler um livro, pra fazer um bolo e lamber a vasilha com calma, batendo papo, enquanto o marido vê as fotos da semana e tira ali mais uma, sem fundamento nem pose. Deu tempo de sentir os dias como geralmente esquecemos de sentir, presos nos compromissos. Tempo de ver a liberdade de tempo. De querer ficar mais e poder ficar. De cochilar antes e dormir até desistir de ir. De bater papo com a dona ou com o hippie, de descobrir a história e os sonhos de cada um. De perguntar: "E por que você veio morar aqui?" Ah, tempo…. De sentir que pra fazer tudo ou só para ter tempo, era ali mesmo nosso lugar. Voltamos sentindo que precisamos viver com mais tempo, não só de férias. Não, tempo não é luxo como os mais apressados diriam. É se dar o direito de parar, pensar, sentir, respirar. É tão simples, humilde e sábio quem sabe se presentear com uma vida com a tranquilidade pra sentir e viver o tempo! #slowtravel #maenomundolifestyle

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2. em Londres, onde Vicente completou 1 ano. Ficamos um mês na cidade e sentimos que ainda é muito pouco para a infinidade de atividades interessantes como é a cidade mais visitada do mundo. Para todas as idades e todos os gostos!

3. na Jamaica, onde também ficamos um mês, tivemos a oportunidade de conviver com nativos, levei Vicente à escola deles e aprendi tanto sobre a visão de mundo dos jamaicanos que mudei a minha própria visão.

Viajar devagar e conviver com os locais

Viajar devagar e convivência com os locais – escola na Jamaica

4. nos Estados Unidos, onde passamos as festas de final de ano com a família e convivemos por quase um mês com a comunidade brasileira na Flórida, vendo o quanto se pode ser feliz longe do lugar que você continua amando e chamando de casa.

E agora, no meio da volta ao mundo, eu, Vicente e uma grande amiga começamos juntos nosso projeto “slow travel” no sul da França. Simplesmente, uma das minhas regiões favoritas da vida! Já tinha vindo duas vezes para cá e sempre termino a viagem com planos ambiciosos de voltar em menos de um ano, para ficar mais tempo.

Ano passado, ficamos 15 dias, quando fizemos troca de casas com o Gerard, que conhecemos no site do GuestToGuest. Esse ano, trocamos casas em Cannes e Nice, para ficar 30 dias! Claro que a questão custo só é possível por causa das trocas de casas, afinal, não conseguiríamos pagar hospedagem por tantos dias, especialmente em lugares tão caros quanto a Riviera Francesa. Já leu o post em que explico como funcionam as trocas de casas?

Voltando à Riviera: amo essa região porque é um lugar onde parecem não existir problemas! E quem não sonha viver assim? Tudo é da melhor qualidade, as pessoas são bem-humoradas, o clima (na época em que sempre escolhemos vir) é maravilhoso, a história é linda, a cultura, rica e a natureza… Ah, essa é questão de achar… Mas eu já entrego: na Île de Sainte Margarite (há 15 minutos do Porto de Cannes), a encosta voltada para a Île de Saint Honorat possui um mar que chamo de “Caribe da Riviera”:

Viajar devagar, repetindo destinos: voltando para mergulhar na Île de Sainte Margarite

Ah, claro que nossa busca por uma vida mais parecida com os locais tem muitas pitadas de turistadas, porque não somos de ferro! Rsss E claro que conhecer muitos lugares, ainda que na mesma região, é gratificante e vale à pena. Por isso, mesmo para quem vai viajar devagar, vale à pena fazer um roteiro, seguindo esse ritmo.

Mas o melhor de ficar mais tempo na mesma região é que, ao entender outros povos tão diferentes, conseguimos nos entender melhor – e eliminar ideias que o nosso mundinho tinha colocado na nossa cabeça. Evoluir opiniões e ampliar a visão de mundo – nada disso teria acontecido se eu tivesse o foco em dizer que conheci todos os países do mundo.

Teria aumentado o meu repertório de países visitados, acrescentando muitos outros pontos turísticos. É claro que também seria sensacional! Mas a qualidade, duração e profundidade da experiência pode valer muito mais que a quantidade delas – o que também se aplica à viagem.

Então, você tentaria ficar todos os seus dias de férias livres em um só lugar, toparia viajar devagar?

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