Postado 15 de junho de 2018

Como alimentar o bebê na viagem – em 15 dicas!

A alimentação é um dos pontos que mais gera insegurança nas viagens com o bebê. E não é só na primeira viagem! Como os hábitos deles mudam muito rápido, provavelmente as viagens seguintes serão diferentes, nesta questão, inclusive.

O segredo para ter mais tranquilidade com a alimentação dos pequenos durante as viagens é aliar praticidade e saúde, se possível, tentando manter uma alimentação que tenha pelo menos parte parecida com a que o bebê já tem em casa.

Mas fazer isso fora de casa não é simples, por isso, reuni as perguntas mais feitas sobre o tema e resumi toda a minha experiência em 15 dicas:

  1. Como manter a rotina de alimentação durante a viagem?

Recomendo dar as refeições nos horários mais próximos possíveis aos que já estavam acostumados em casa. Procure acordar em horários parecidos e dar o café-da-manhã também de forma não muito diferente. É a refeição mais fácil de seguir a alimentação caseira, pois geralmente bons hoteis possuem muitas opções para este momento. Já para quem se hospeda em casa, fica ainda mais fácil – mas é essencial ir ao supermercado logo no primeiro dia, se abastecer com os ingredientes do café-da-manhã e dos lanches.

Por toda essa facilidade, é nesse momento que também recomendo dar novas frutas, próprias da região, para eles experimentarem. Podem ficar mais livres para fazer bagunça e, caso não gostem, há as opções tradicionais de alimentos.

Ao planejar o restante do dia, o cronograma de viagem precisa incluir a alimentação do bebê. Pense no tempo total que planeja ficar fora e leve o número de refeições adequado, incluindo leite em pó (se for o caso) e frutas. No caso dos lanches, sempre levo a mais – se o passeio durar mais que o previsto, seguram a fome até mesmo dos pais. E não se esqueça de hidratar – leve água e se houver onde for, dê água de coco.

Incluir os horários dos pequenos no roteiro do dia não quer dizer que você precisa parar para almoçar às 11h da manhã, caso seja esse o horário que o bebê coma em casa ou na creche. Mas procure parar em algum lugar onde possa alimentá-lo próximo desse horário. Talvez seja na lanchonete de um museu, onde você dará a comida que está na bolsa térmica.

Sempre gostei de fazer isso, tomar um café (ou até fazer um lanche) após dar o almoço para ele e então curtir o resto do local enquanto o bebê tirava a soneca pós-almoço, no carrinho.

Almoçávamos depois de sair de lá, mais tarde do que o nosso normal mesmo, como acaba acontecendo nas viagens. O seu passeio não precisa seguir os horários do bebê – mas você precisa incluir os horários dele no seu passeio.

Amamentando em Lisboa – Fotografia: Emi Paixão

  1. Se ainda amamentar, amamente!

A amamentação exclusiva até os seis meses e complementar pelo menos até os dois anos é o ideal, defendido pela Organização Mundial da Saúde (e pela Mãe no Mundo, rsss). É difícil, mas se puder, dê tanto “mamá” quanto seu filho pedir. Acredito que essa é a melhor atitude que você pode tomar pela saúde do seu filho! E é certamente a forma mais prática de alimentá-lo – está sempre pronto, na temperatura certa e dispensa utensílios!

Por aqui, batemos recentemente todas nossas metas nesse tema: após termos concluído os seis meses de amamentação exclusiva, chegamos aos 2 anos de amamentação complementar!

  1. E se o bebê tiver menos de 6 meses, mas você não amamentar mais?

Isso pode acontecer por muitos motivos – de diversos problemas com a amamentação – muita gente passa por isso, é super normal! – até por escolha própria. Aqui não julgamos ninguém, e respeitamos você e suas necessidades ou escolhas.

Há muitas mães que tiram o leite e levam para dar no caminho, outras que dão fórmula. Siga o que já fizer em casa durante a viagem e aproveite enquanto o bebê ainda não comer comida salgada, nessa fase é tão mais fácil de alimentar o bebê que acredito ser a fase mais fácil de viajar com eles!

Sobre a fórmula, em caso de viagem de avião, você pode levar na bolsa de mão a quantidade que será usada no vôo (com uma porção extra no máximo). Leve o restante na bagagem despachada ou compre quando chegar ao destino.

  1. Em caso de viagens curtas, se possível, leve comida de casa!

Nada mais prático do que já levar a comida. Procurar restaurantes com comidas apropriadas para bebês, caso você opte por dar comida sem sal (que é a escolha de muitos pais de bebês no primeiro ano, principalmente) é um desafio que limita muito a viagem.

Além disso, viagens curtas geralmente possuem roteiros mais apertados, e nem sempre é fácil encaixar o tempo do supermercado nele – e quando se hospeda em hoteis que não possuam cozinha no quarto ou baby copa na área comum, preparar comida é quase impossível.

  1. Posso levar a comida do bebê no vôo?

A comida para bebês, mesmo que seja líquida, pastosa ou em pó, é uma exceção à regra que proíbe o embarque com mais de 100 ml de líquidos em vôos internacionais, desde que seja na quantidade que será usada durante o vôo, com uma porção extra, no máximo. Comida e líquidos do bebê são sempre permitidos, é só mostrar isso na segurança – que algumas vezes, fará um teste rápido para saber se é só isso mesmo – e pode levar para o avião!

  1. Vou encontrar o leite, a fórmula, a farinha láctea ou outros produtos que estou acostumada a dar na viagem para o exterior?

O ideal é levar uma quantidade suficiente para pelo menos os primeiros dois dias. Assim, você tem tempo de chegar, se estabilizar e encontrar o produto no local sem o risco de acabar a comida do bebê antes.

Na Europa e nos Estados Unidos geralmente acho de tudo – e, na maioria das grandes cidades, de melhor qualidade que no Brasil. No entanto, isso varia para cada destino, nem sempre é tão fácil achar, e ainda há o risco do bebê não se adaptar ao sabor diferente. Por isso, dependendo da duração da viagem, levar o produto com o qual o bebê já está acostumado, dentro da bagagem despachada, é uma boa opção.

  1. Onde levar a comida?

Para a comida “salgada” (não necessariamente com sal, mas que se come quente), as duas opções mais práticas que encontrei são:

– bolsas térmicas (ou pelo menos uma parte com proteção térmica) que mantém a temperatura durante horas: as que possuem o isolamento térmico maior e seguram por mais tempo são as recomendadas para as viagens mais longas.

Você pode levar potinhos congelados em uma bolsa térmica com saquinhos de gelo dentro, principalmente durante vôos longos. Há bolsas térmicas capazes de manter um bom tempo de armazenamento. Ou, se tiver em casa bolsas térmicas de dois tamanhos diferentes, pode usar uma dentro da outra, o que também aumenta o tempo de armazenamento (já fiz o teste e deu certo).

– potinhos térmicos: esses, bem fechados, podem ir direto na bolsa normal do bebê, com a comida pronta dentro. É ótimo para aquecer bem antes (no hotel ou na casa) e levar para dar o almoço no horário de costume, mesmo que estejam no meio de um passeio. Ah, essa dica também pode ser usada para levar comida aquecida nas bolsas térmicas, que aí, mantém a temperatura quente. Neste caso, uma bolsa menor, com espaço suficiente para uma refeição, é o ideal.

No caso da fórmula, sugerimos acostumar desde o mais cedo possível, ou ao menos um tempo antes da viagem, o bebê a tomá-la com água em temperatura ambiente (sempre filtrada ou fervida, mas não aquecida).

Já as frutas são práticas, por já estarem prontas, mas também é preciso ter o cuidado como o armazenamento.

  1. Você esquenta a comida durante o dia?

Já no destino, pense no tempo que vai ficar fora durante o dia e nos tipos de comodidades dos locais por onde passarão. Para um dia todo de passeios, recomendo sair de casa com a comida na bolsa térmica (se for congelada) e o leite em pó nas mamadeiras pronto para só misturar com água (se for o caso de dar leite). Assim, ao parar para almoçar no restaurante de sua preferência, você solicita ao garçom o favor de aquecer a comida do bebê pelo tempo de costume, em banho-maria ou no microondas, como prefira. Sempre fui bem atendida, por onde passei, ao pedir esse favor. Dos lugares mais simples aos mais luxuosos, todos querem ajudar uma mãe a alimentar o seu bebê.

A opção de levar a comida pré-aquecida é ainda mais prática e funciona bem caso o horário da refeição não seja tão distante assim do horário da saída do hotel ou casa.

  1. Qual comida levar para o bebê na viagem?

Em casa, eu tinha o costume de fazer sopinhas para a semana e congelar, assim cada dia eu descongelava uma e às vezes acrescentava alguma parte da comida “do dia”, como verduras, misturando. Você pode fazer isso, levar semi-pronta e completar com algo do local ou já levar a papinha 100% pronta, congelada. Quando chegar no destino, seja hotel ou casa, guarde imediatamente no freezer ou na parte de gelo do frigobar.

  1. Comprar comida pronta, devo?

Por que não? Existem vários tipos de comida pronta e uma delas pode se adequar ao seu estilo ou momento como mãe (ou pai).

No primeiro ano de vida dos nossos bebês, muitas de nós seguimos uma série de cuidados com a alimentação deles, como não oferecer alimentos com sal ou açúcar, de preferência que também não sejam industrializados.

Eu mesma, entre os 6 meses e 1 ano, seguindo as recomendações de uma nutricionista para bebês, dava comidas sem sal, só com temperos. De sabor doce, só frutas. Para continuar seguindo esse estilo mais saudável nas viagens, e numa vida que começou a ficar cada vez mais corrida com a carreira de influenciadora digital crescendo, passei a comprar papinhas sem sal, feitas com ingredientes orgânicos.

Elas são feitas em um processo diferenciado, com ingredientes que eu nem teria a criatividade de colocar em papinhas, temperinhos no ponto certo e ficam uma delícia. Ou seja, ainda que um pouco mais caras do que fazer em casa, dependendo do seu momento de vida, valem o tempo economizado.

Já outra opção ainda mais prática, que não envolve a preocupação com o congelamento como precisam essas papinhas orgânicas, mas também não é tão saudável, é a papinha industrializada, encontradas em supermercados do mundo todo. No Brasil a maioria das opções são baratas e não tão saudáveis ou gostosas, mas na Europa há várias opções mais elaboradas, até com consistências diferentes, como escondidinho de carne moída ou risoto de frango, tudo feito com ingredientes orgânicos.

Papinhas industrializadas podem não ser a alternativa mais saudável para o dia-a-dia, mas a viagem geralmente é a exceção. Por isso, ela será usada, se necessário, apenas algumas vezes. A vantagem é que é um alimento seguro, ao qual eu daria preferência mesmo em situações que encontre um alimento mais natural, mas de procedência e higiene duvidosa. Então, vale pesar cada situação no destino.

Fotografia: Tio Careca

  1. Recomenda fazer comida para o bebê durante a viagem?

É trabalhoso, mas possível. Especialmente se você vai ficar por um tempo um pouco maior, a partir de 5 dias, que é quando já teria que levar papinhas demais de casa…

Se estiver hospedada em uma casa ou apart, com cozinha equipada, e tempo disponível para cozinhar, aplique a linha mais prática que já tiver feito em casa.

No meu caso, fazer tudo em um dia e congelar ou cozinhar apenas uma base e ir complementando com a comida da família do dia são boas opções que já usei.

O tempo viajando é sempre valioso, por isso, se for optar por cozinhar durante a viagem, faça com sabedoria. Usar novos ingredientes da região, caso não seja nada muito exótico, ou apenas conhecer melhor como são as mesmas verduras do destino são ganhos da viagem. Conhecer feiras locais para comprar esses produtos revelam cores, sabores, texturas e cheiros que você e seu bebê adorarão conhecer.

  1. Dá para aplicar o BLW viajando?

Depende de muitas coisas. Em que nível de desenvolvimento do BLW o bebê está? Está começando agora? Fez 6 meses há pouco tempo e está fazendo aquela lambança fofa ao comer?

Se for o caso, depende do seu nível de rigidez com o método e dos lugares onde vão fazer as refeições.

Já me hospedei em um hotel bacana, de frente para o mar, com violino no café-da-manhã, e me senti super à vontade para deixar o meu bebê de 9 meses se esbaldar nas frutas, que eventualmente caíam no chão, porque a equipe foi extremamente acolhedora. Quando me abaixei para pegar o primeiro pedaço que caiu, o garçom imediatamente se aproximou e me pediu para não me preocupar, que eles estavam acostumados com isso e que assim que ele terminasse, iriam limpar o local. Vi até outras famílias em situação parecida, o que me deixou mais tranquila ainda quanto a isso. Mas, dependendo do local e da equipe, vale à pena avaliar as refeições antes.

  1. E o lanchinho?

Não se esqueça dos lanches entre as refeições! Frutas são sempre as melhores opções – e motivo suficiente para você ir ao supermercado entre suas primeiras paradas na viagem. Sei que muita gente já não gosta de ir ao supermercado no dia-a-dia, então foge deles na viagem. Mas, longe de casa é sempre mais interessante, acredite! Principalmente se puder a um autêntico Mercado Municipal! Conhecer os produtos e preços de outras culturas te faz entender melhor como eles vivem e talvez te faça ficar ainda mais encantado(a) com o local.

Outras opções interessantes, vendidas em supermercados na Europa, são os saquinhos de frutas batidas, sem conservantes; pães ou biscoitos de polvilho sem sal e sem açúcar. Quanto aos lanchinhos vendidos na rua, é sempre recomendável evitar. Eventualmente, também já demos sucos de caixinhas, práticos, mas não faz parte da nossa rotina.

  1. Você dá salgados e outros lanches vendidos na rua?

Na primeira vez em que me permiti dar um lanche na rua, foi quando Vicente estava se negando a comer as frutas que levamos e ainda tínhamos um dia cheio pela frente. Minha mãe, que nos acompanhou nos 30 dias em Londres, comprou um croissant e ofereceu para ele, que adorou. Ficamos apreensivos, por ser algo novo – mas observamos as fezes, e não houve alteração relevante. A partir daí, já comeu algumas outras vezes – sempre em casos excepcionais.

  1. E os restaurantes com cardápio baby & kids?

Geralmente, esse cardápio é mais voltado para crianças; poucos são os restaurantes que realmente se importam com as comidas para bebês. Por isso, os cuidados colocados nas dicas acima são importantes. Mas muitas vezes, desde novinhos, conseguimos adaptar a nossa comida para eles.

Isso acontece cada vez mais, pois eles vão crescendo e passam a comer os alimentos comuns: a maioria dos pais já dá comida com sal e açúcar para as crianças com dois anos.

Meu alerta aqui fica para o tipo de comida proposto no cardápio infantil: há lugares que separam uma parte do cardápio para colocar porções menores e um pouco mais em conta, mas com ingredientes essencialmente fritos, como se fritura por si só fosse sinônimo de comida para bebês e crianças.

Então, mesmo em caso de opções propostas para os pequenos, vale à pena avaliar se entre as demais opções (no cardápio “para os adultos”) não há algo mais saudável e adequado para os menores. Em países frios, uma opção muito comum são as sopas. Em diversos lugares, pratos com frango, peixes, purês e legumes cozidos compõem uma ótima opção de prato “infantil” – basta sempre ter o cuidado de conversar com o garçom, perguntar se o prato escolhido tem tempero forte ou picante, e, se for o caso, perguntar sobre a possibilidade de preparar um prato sem tais temperos. Ao chegar à mesa, cortar com cuidado para evitar qualquer espinho e servir em uma colher adequada.

Massas como macarrões ou lasanhas também costumam ser ótimas opções – fáceis de mastigar, e geralmente agradam o paladar de todas as idades.

Estamos sempre em busca dos lugares que atendam com carinho os bebês e as crianças pequenas para o nosso Selo Baby Friendly, e esse cuidado deve envolver tanto a estrutura (cadeira de alimentação, banheiro equipado com trocador e até chuveiro) quanto o atendimento, as opções oferecidas no cardápio e a qualidade da comida. Conheça aqui os últimos lugares que já descobrimos!

Assim, fazemos nossa parte para indicar os lugares que possuem um atendimento especial para os bebês e incentivar os outros a seguirem essa linha – não seria ótimo se todos tivessem esse cuidado?

Se você conhecer algum lugar que seja ideal para levar bebês ou crianças pequenas, também no quesito alimentação, indique em aqui em 2 minutos e ajude outras famílias a também chegarem nele!

Tem mais alguma dúvida, dica ou experiência interessante para compartilhar sobre alimentação dos bebês e das crianças pequenas na viagem? Conte nos comentários!

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2 Comentários em "Como alimentar o bebê na viagem – em 15 dicas!"
  1. Samantha Soares   •   18/06/18 - 14h50

    Excelente texto!!
    Muito bom explicado!! Obrigada por compartilhar suas experiências!