Postado 18 de julho de 2018

“Vale à pena viajar com filho pequeno? Não é melhor deixar com a vó?”

Na maioria dos dias, essas gargalhadas da foto, no zoo de Miami, nos definem.

Sorrir é de verdade a principal marca do meu Vicente Sorridente, tanto que troca qualquer resposta por um sorriso sapeca derretedor de corações ou uma gargalhada que te faz esquecer todos os problemas do universo.

Mas tem momentos em que não sei onde foi parar o meu “sorridente”. Hoje foi assim, no nosso passeio ao Castelo da Montanha (Castle Hill) de Nice. Li a (incrível) história do lugar antes, sabia quer teríamos vistas maravilhosas e quando chegamos lá, haviam vários parquinhos, pura diversão, né? Seria, mas ele não estava no clima, brincou com o cavalinho por 30 segundos e pronto.

É, na vida real por aqui também tem dias que a vida não é só sorrisos. Muito choro sem que nada além do colo da mãe de costas já doloridas acalmasse. Os “terríveis dois anos”? Talvez. Ofereci comida e água e não quis. Em dois momentos diferentes, mulheres francesas mais velhas passaram e, com um gesto de silêncio elegante, o fizeram parar. As minhas tentativas – do carinho à rigidez – não deram resultado, mas as das desconhecidas, deram.

Rapidinho voltava o chororô, até que uma menininha muito fofa pediu para a mãe para se aproximar da gente. Ela perguntou para o Vicente, em francês: “Por que você chora? Não chora não!” E deu um abraço carinhoso, um beijinho de leve na bochecha. Ele, claro, parou, e ficou só olhando aqueles olhos verde-água. Tudo isso foi enquanto tentávamos achar a saída do local.

Quando descobrimos que o elevador tinha fechado há 2 minutos (10 minutos antes do que falava no site oficial!), e que teríamos que descer a escadaria da colina… Depois de descer uma parte com ele no colo, tentei mais uma vez colocá-lo no chão: nesse momento, uma mulher que é minha versão russa (sério, achei bem parecida!) apareceu pegando a outra mão dele, se ofereceu para ajudar. Fomos até lá embaixo assim: cada uma segurando uma mão e ele descendo todo empolgado! Foi um dia em que ele parecia estar cansado da minha presença, só se interessou por gente diferente!

Mas chegou em casa, brincou comigo, deu mil abraços e gargalhadas por 4 horas seguidas. Bebês e crianças são seres complexos, né? Cabe a nós respeitar o momento, ter muita paciência e ajustar as expectativas. Quando ele se negou a ir para o escorregador, sabia que não estava no melhor humor. Ele não queria estar ali como eu queria.

Ok, não tem foto nem passeio, vamos. Viajar com crianças tem disso sim. Mas, para mais gargalhadas em dias divertidos como o da foto, aceitamos os que não são iguais. Sem fotos, com muito amor.

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